domingo, 6 de março de 2016

DEVIR


Às vezes, ao entardecer ,
quando certas flores
se recolhem e guardam
para um outro amanhã,
vagueio pelos corredores escuros
da minha casa vazia
e busco-me
nos retratos felizes
da minha meninice
que olham
este outro eu ,
olhos pisados pelo tempo,
a alvura singular
dos meus cabelos raros...

Perguntam-me quem sou
e eu não sei responder
porque este eu que sou,
busca ainda respostas
sobre o seu devir
e vive só
na angústia de se conhecer

Já não sou menino,
mas sonho
como as flores que se fecham
para um outro amanhã
e se abrem, radiosas ,
quando a aurora chega...

Ao entardecer,
quando a luz se esvai,
nesta penumbra triste,
sonho esse amanhã,
esse devir que espero
e regresso a mim,
ao menino que fui,
cavalgo quimeras,
ternas ilusões
que se vão sumindo
no tempo que passa...

Vagueio pelos corredores escuros
da minha casa vazia...
Sinto o tempo fugir...
Que importa o devir,
esse amanhã que espero,
se jamais terei
aquilo que quero?

E uma outra ilusão,
um sonho , se esvai
neste rio que corre
do meu coração...

Luis Machado

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