quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

SOLIDÃO

Sinto a solidão
quando os olhos ergo
e não vejo ninguém...
E , no entanto , lá fora ,
à minha volta , aqui ,
há gente que passa
mas não passa por mim...
Eu permaneço só,
no meu silêncio ,
buscando não sei quê
que não passa aqui...
É talvez esta loucura
de poeta só,
que sonha amanhãs
que já não há,
que busca realidades
que estão para além
do horizonte que vislumbra,
que contempla borboletas azuis
que são gaivotas,
nadando sobre as ondas,
que , com as pesadas asas,
não passam do efémero
espaço onde caminho...
E as borboletas coloridas
que eu sonhava ver,
esfumam-se no vento,
são apenas quimera
perdida no azul dos céus,
sem primavera...
Sinto a solidão
quando os olhos ergo
e não vejo ninguém...

Luis Machado

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

CONTO DE NATAL CIDEA e LÚCIO , UM AMOR FALHADO

De Luis Machado

Eu sou Lúcio e vivo de sonhos.

Chamava-se Cidea a bela jovem que encontrou meus olhos quando, naquela tarde de verão, eu, Lúcio, chegara, pela primeira vez , ao bairro onde iria morar por muitos anos.
Eu tinha onze anos e ela, possivelmente, teria a mesma idade. Tinha os olhos doces e o seu rosto fazia lembrar um botão de rosa, era assim que eu a via. Se é que o amor nasce desse modo , foi amor o que nasceu ali. Tentar explicar , depois de tanto tempo , o que senti , então, é correr o risco de extrapolar no tempo outras experiências vividas com atores diferentes e em circunstâncias diversas. Mas sei , isso recordo , que o meu coração infante recebeu aquele choque que o amor provoca e nos faz vibrar e sentir que algo de novo vive em nós.
Doravante ,eu percorria o quarteirão do bairro onde ela morava e olhava a janela do seu quarto , procurava o jardim , de longe , em silêncio , como que envergonhado deste amor precoce que ia criando raízes , bem fundo , no meu coração.
Havia rosas e outras flores no jardim desse meu bairro, mas eu nunca tive coragem de colher uma para lhe mandar e , primavera após primavera , as flores iam crescendo e murchando , à cadência do tempo, tal como nós que de meninos e moços, percorremos os anos , sofremos as convulsões da adolescência e damos connosco adultos , percorrendo caminhos e vislumbrando horizontes que almejamos, sonhamos e vamos , vamos , vamos...
Cidea amou outras gentes enquanto crescia e o seu coração aprendia... 
Enquanto isso, eu ia seguindo, de longe , a sua vida e sonhava histórias de cavalaria , eu Lúcio, cavaleiro andante , protector de sua dama , Cidea , e , por montes e vales , levava o seu pendão e , no peito , o seu coração.
Os anos foram passando e aquele amor de infância permanecia no coração de Lúcio com a mesma candura e a ternura de sempre. Fazia poemas que guardava no coração e a ninguém transmitia, cantava só, no meu quarto, as canções românticas que gostava que ouvisse , imaginava declarações de amor que ficavam no meu pensamento e que nunca os meus lábios pronunciavam e , platonicamente, sonhava com um amor puro , só sentimento , que fazia de Cidea , para mim , uma imagem etérea...
Um dia o destino aproximou-nos e o meu coração ficou cheio de esperança, pude pegar-lhe na mão, sem lhe dizer que a amava e sentir que aquela imagem etérea era também mulher e fiquei-me na contemplação platónica daquela beleza que guardei tantos anos no meu coração. 
Dia após dia, crescia em mim esse amor que extasiado eu via ali , sentada junto a mim , candidamente falando da vida , num respeito profundo , inumano , sem que os sentidos empolgassem a nossa relação de amizade. 
E eu Lúcio, sonhava futuros e crianças brincando naquele bairro de jardins floridos, Ternuras, afagos , suspiros de amor , adeus venho já , nas calmas manhãs de outono...
Passavam-se os dias e eu sentia em Cidea uma certa ternura naquele olhar tão lindo que me apaixonara naquela tarde distante. Os meus olhos sorriam no brilho desse olhar e era terna a noite quando me ia deitar e a lua ne acompanhava os passos...
Cidea era para mim o sonho de criança que o destino adiara. Todo aquele tempo em que esperara por ela, cimentara em mim a certeza de que um dia ela seria minha e que, juntos, caminharíamos na vida de mãos dadas... Mas outros eram os desígnios de Deus... 
Um dia, enchi-me de coragem e escrevi-lhe uma longa carta de amor , como , então, era usual fazer e fiquei aguardando um sim àquele amor paciente que tantos anos guardara no meu coração. 
Era tempo de Natal, havia cânticos nas ruas da minha cidade e sorrisos felizes nos rostos das crianças: É Natal , é Natal , já nasceu Jesus... As luzes iluminavam os céus e o meu coração vestia-se de esperança, aguardando uma carta de Cidea que me trouxesse certezas do seu amor desejado...Eram longas as horas , os dias infindáveis, a espera uma tortura...
Até que chegou a ansiada carta...Abri-a e os meus olhos ficaram rasos de lágrimas...". Lúcio, lamento , em nome da nossa amizade, mas o meu coração pertence já a outrem. Lembras-te daquele rapazinho , como tu lhe chamaste , de que falamos há dias? É esse o dono do meu coração. Serei tua amiga para sempre , pesa-me não poder ser mais." 
Lá fora, a música continuava a tocar...É Natal, é Natal , já nasceu Jesus... 
O meu intranquilo coração ficou despedaçado... Acabara-se o tempo, ruíra o meu sonho de criança, os meus olhos moravam a vida,sem esperança. Nas palhinhas do Presépio um Jesus pequenino sorria e eu não achava graça... 
Fugi do mundo, embrenhei-me no nada, frui aventuras inconsequentes e fúteis, enclausurei-me nas páginas de mil livros , fui poeta , rasguei meus versos, chorei no silêncio da imensa solidão que me tomou...
Depois...descobri um outro tempo e entrei... 
Nunca mais vi Cidea. Dizem-me que está velhinha como eu cujos níveos cabelos teimam em me adornar a fronte. No baú dos meus sonhos, quando dói mais a dor que , às vezes , sinto, vou espreitar o sono daquele sonho antigo, afago-o com carinho , deixo-o dormir tranquilo, pois sei que me acompanhará enquanto percorrer este caminho... 
E eu Lúcio que vivo no sonho e fantasia, contemplo, com saudade , esse outro tempo em que sonhei um grande amor, falhado... 
É Natal, uma outra vez, há cânticos nas ruas da minha cidade e sorrisos felizes nos rostos das crianças: É Natal, é Natal, já nasceu Jesus... As luzes iluminam os céus. Nas palhinhas do Presépio um Jesus pequenino sorri e eu acho graça…

SONHO


Quando a tristeza
invade o meu olhar
e as saudades calam
fundo ns minh'alma,
na mesa do café, na minha,
saco da pena e escrevo
silenciosos beijos,doces,
que te mando no vento,
nesta brisa amena
que é o meu pensamento...
Pudera eu ir também,
ser eu o mensageiro ,
voar sobre as montanhas,
atravessar o mar,
qual pássaro perdido
buscando te encontrar...
Quisera ser só alma,
sem corpo, sem nada,
e só , na brisa fresca
desta manhã de Outono,
beber dos olhos teus
esta saudade morna,
nesta procura instante,
perene e sufocante...
Quisera que meus ócios,
na quietude serena deste dia,
me trouxessem novas
deste amor plangente
que minh'alma enleva,
procura, busca , chama , espera,
na ânsia de te encontrar
e te levar comigo
para alem dos sonhos...
Luis Machado

sábado, 12 de dezembro de 2015

NATAL, TEMPO DE AMOR, DE TODOS OS AMORES

Crónicas do meu viver/ /Por Luís Machado

Nesta quadra festiva fala-se muito de amor, dos vários tipos de amor que vivem dentro da mesma palavra: amor ao próximo, amor à família, amor/paixão entre dois seres que se querem.

1 - O primeiro enche as páginas de jornais, revistas, redes sociais, organizações de solidariedade social e outras organizações afins, todos eles apostados na solidariedade para com os que mais sofrem, os que menos têm, os que mais precisam. É como que um rebate de consciência pelo pouco que fazemos, ao longo do ano, em prol dos mais necessitados, aqueles que, por circunstancias várias, se veem atirados para a rua, para o desemprego, para a cama de um hospital, para um lar de idosos, para a prisão, para o vício que mata, para a marginalidade que aniquila. E lembro-me que todos nascemos iguais em direitos, mas que nascemos, muitas vezes, diferentes pelas circunstâncias: uns nascem numa família miserável onde tudo falta, outros na abundancia supérflua onde tudo sobra; uns inteligentes, para quem tudo é mais fácil e outros a quem a natureza não dotou; uns sãos, perfeitos e saudáveis, outros aleijados, doentes, cheios de problemas físicos ou mentais.
Muitas vezes não temos consciência dessas abismais diferenças e atiramos as culpas para a inércia, para o não querer fazer, para o vicio assumido e não combatido, para tudo aquilo que pensamos aliviar a nossa consciência. E , no entanto, como cidadãos temos muita culpa porque assim seja, porque não soubemos construir uma sociedade diferente , mais humana , menos egoísta , mais justa , mais solidária , mais atuante na defesa dos direitos humanos , mais interventiva na escolha e responsabilização de quem manda e desmanda.
Penso no Papa Francisco e no seu exemplo de humildade que é apenas um caminho numa igreja que devia concentrar-se na defesa dos pobres e oprimidos, mas vive ainda numa certa opulência. Penso no muito que fez e no muito que há ainda a fazer... 
É Natal! Como seria bom que este Natal fosse, realmente, um Natal de amor e fraternidade entre os homens...

2 - Celebra-se ainda o amor à família, a reunião dos pais, filhos, netos, irmãos e demais familiares que , percorrendo enormes distâncias , apagam , à volta da mesa que se quer farta e variada , as saudades que lhes enchiam a alma... E o bacalhau e seus bolinhos, o polvo, os filhós, as rabanadas, os sonhos, o bolo rei, as frutas cristalizadas e outros acepipes , não são mais que um pretexto para o amainar das saudades , para a troca de afetos , para o distribuir de carinhos e meiguices... E quando, à meia-noite, o Pai Natal bate a porta e carrega o saco dos brinquedos, é uma explosão de alegria na pequenada que contagia os adultos e induz à troca de mais abraços e ao afogar de mais saudades e à recordação de outros natais, com outros alguéns que já partiram...É a hora da lágrima ao canto do olho e aos suspiros que engolimos em silêncio porque é tempo de festa, não de tristeza...

É bom que o Pai Natal não se esqueça dos que nada têm e pouco esperam!
3- E temos, por último, o amor / paixão entre dois seres que se querem. O amor é transversal a todas as idades. E se é paixão na juventude, é um sentimento sossegado, terno e doce quando a neve de muitos invernos já tingiu de branco os nossos cabelos... Mesmo quando o nosso coração está amargurado, o amor está lá e o sonho, quantas vezes, suaviza a amargura, a melancolia e a solidão das nossas vidas... Como diz António Gedeão, o sonho é uma constante da vida, ou como Fernando Pessoa… “O homem é do tamanho do seu sonho”. 
Há algum tempo, num tempo de muita solidão, escrevi um poema que intitulei " Amor ou um sonho de Verão " .Talvez não fique mal nesta crónica que fala do amor. 
" - Chamei-te Amor / porque não sabia o teu nome/ e Amor é um nome lindo. Começou a chover / o aroma das flores dissipa-se no ar /e eu repito, baixinho, / vezes sem conta, o teu nome lindo/ e sonho palavras que não dizes... Apetece-me descansar no teu regaço. / Repousar a cabeça no teu peito,/ banir, para sempre , este cansaço/ de estar longe sem ti Amor, o teu nome lindo, / repito sem cessar/ enquanto o aroma das flores/ se dissipa no ar. Começou a chover/Os meus olhos cansados/anseiam por te ver... Sinto fugir o tempo / como as águas de um rio/ que corre sem parar... Além, no horizonte, já se vislumbra o mar Temo, Amor, que me falte o tempo para te encontrar.
O amor é alegria e sofrimento, é procura e encontro, é um contentamento descontente, como dizia Camões... É transversal a todas as idades, ama o jovem, ama o velho... " Amor verdadeiro é aquele que o vento não leva e a distância não separa " Amor é sonho, é fantasia, é dor. Há juras de amor eterno que o tempo quebra e apaga e, como dizia Florbela Espanca," Tudo no mundo é frágil/tudo passa / Quando me dizes isto /toda a graça/ duma boca divina, fala em mim." , mas ". Há uma primavera/ em cada vida ,/. É preciso cantá-la assim/ florida/ pois se Deus me deu voz/ foi pra cantar.." 
Cantemos, então, o amor... E vós jovens, Cantai, como Florbela Espanca, "Eu quero Amar, amar perdidamente. Amar só por amar..."
Só o amor nos torna felizes, embora, às vezes, choremos quando a saudade nos amarfanha a alma. 
É Natal, tempo de amor, de todos os amores…

Publicado no Correio Transmontano a 11/12/2015


NESTE NATAL SILENTE



Sinto na alma o frio da noite
neste Natal silente
Fantasmas e recordações me tolhem
a alegria e a música que , tão docemente ,
penetra no meu coração saudoso,
faz-me regressar a um outro mundo
em que só o sol raiava
e a vida só flores me dava...
Mas as rosas vermelhas, meu enlevo ,
vão-se desfazendo neste outono gélido
e a neve fria dos meus anos
arrefece minha ânsia de esperar
por novas primaveras,
sem ilusões , sem quimeras,
com um sonho só
que guardo no meu peito,
ternamente, com a suave doçura
que o amor lhe empresta...
Neste Natal silente,
neste Natal de festa,
sou gaivota voando, além,
sobre as ondas do mar,
olhando , no horizonte, o arrebol
dum sol que vai nascer
e subir nos ceus até ao zénite,
aquecendo de novo um coração
que teima ainda querer viver...

Luís Machado

domingo, 6 de dezembro de 2015

NATAL DE HOJE E DE SEMPRE // BRAGANÇA, TERRA NATAL E DE SONHOS

Crónicas do meu viver // Por Luís Machado

Quando era menino e moço, era costume fazermos, lá em casa, o presépio e adornarmos a Árvore de Natal. Esta mistura do religioso com o profano não nos causava qualquer conflito emocional e era com alegria que percorríamos a cercania do lugar onde morava, à procura de musgo para compormos as ruas e caminhos do presépio, assim como dávamos um salto ao Monte de Santa Luzia, em busca de um pinheirinho que enfeitávamos com o que tínhamos e não era muito: umas fitas coloridas, umas bolas , uns bonecos e pequenos tabletes de chocolate e pouco mais , porque não havia dinheiro para comprar iluminações como as que agora se usam , se é que as havia, então.
E como era belo o nosso presépio, feito com pequenas figuras de barro , de cores variadas , com o Menino Jesus nas palhinhas , Nossa Senhora e S.José , ladeando-o , os imprescindíveis Reis Magos com as suas ofertas, o burrinho e a vaquinha , pastores , ovelhas e curiosos , figuras grotescas ,por vezes , apreciando o evento , que já havia quem gostasse de apreciar tudo , naquele tempo...E a estrela que guiara os Reis Magos, lá estava , num sitio mais alto , como um farol , guiando os marinheiros que procuravam bom porto...
E como eram belos , o nosso presépio e a nossa árvore, tão belos como não havia outros, mesmo aquele muito grande que montavam na Igreja da Misericórdia, com águas em cascata , moinhos que rodavam , figuras que se moviam , luzes que acendiam e apagavam, grandes e belas figuras , das tradicionais às mais modernas . Mas o nosso presépio tinha outro encanto, fora feito com o nosso entusiasmo e a candura e a inocência dos nossos poucos anos e até o Menino Jesus parece que sorria para nós... Será que sorria mesmo? E ali ficávamos, contemplando o conjunto, absortos, sonhando estórias que outros nos contavam, sobre fugas e milagres que não percebíamos bem, mas que ouvíamos com prazer e arquivávamos no nosso imaginário... 
Entretanto os tempos mudaram, nada é permanente na vida, e o marketing, os negócios, a política e outros interesses, transportaram o espírito natalício para um patamar diferente e o consumismo tomou conta de tudo e engalanou o mundo com as suas luzes e árvores monumentais. O Pai Natal, deslizando nos seus trenós, vindo do país do gelo , entrou profundamente no imaginário das crianças e dos adultos e inundou os espaços com prendas e festas , colocando em segundo plano a humildade do presépio, onde um Cristo Menino se aquece nas palhinhas, quando se publicitam colchões luxuosos , onde dormir é um sonho... E entre a palha e o conforto desses colchões de sonho, a escolha é óbvia. Num mundo materialista o Pai Natal ganhou e são tantos os Pais Natal que já se organizam desfiles para entrada no Guinness, alargando o negócio até ao rapar dos bolsos. 
Tudo se compra e tudo se vende, satisfazem-se as carências de um ano de privações, para alguns, empanturram -se outros com excessos que depois há que pagar, a criançada rejubila com a esperança de novos brinquedos, os adolescentes encantam-se com os novos modelos de tabletes e quejandos , os adultos namoram eletrodomésticos e mobílias, férias de sonho ou passeios relâmpago com ceias programadas onde há tudo o que os ricos consomem todo o ano... E há Pais Natal por todo o lado, colorindo a paisagem e entusiasmando a criançada, com chocolates e balões coloridos, em profusão... 
Parafraseando D.Luísa de Gusmão, esposa de D.João IV, que dizia " antes ser rainha por um dia do que duquesa toda a vida ", eu diria, a propósito dos festejos de Natal, que mais vale ser rico por um dia do que pobre todo o ano e não me custa aceitar que uma parte da humanidade carente de bens materiais e afeto, se empolgue e se lance na euforia coletiva que são os festejos natalícios. E os pobres, coitados, cuja carência os afasta, no resto do ano , de festas e iguarias, bem precisam que o Pai Natal os acolha , por uns dias, no seio da sua opulência e lhes traga de prenda um balão onde diga Esperança.
Mas as festas de Natal têm uma outra vertente, a festa da família, que convida à aproximação de pais e filhos ausentes , de netos ansiosos por encontrarem de novo os avós que não viam há muito , de irmãos que raramente se encontram , de amigos que se renovam... E a ceia, que se apresenta farta e variada, neste encontro fraterno, leva em cada acepipe um pedaço do coração de quem participa, mais as saudades de quem falta porque a lonjura obriga...
E Bragança também tem o seu Natal, um carinho oferecido às suas gentes pela CM , que estas muito apreciam, o gesto e o evento, intitulado Bragança, Terra Natal e de Sonhos. O evento desenvolve-se a partir da Praça Camões, onde se poderão apreciar um conjunto de atividades, a pista de gelo, encanto de crianças e adultos, uma belíssima árvore de Natal, um rico e maravilhoso presépio montado com amor pelo seu criador, standes e uns cafezinhos de apoio, para além de pistas e outros entretenimentos para as crianças. A festa alonga-se a toda a cidade com iluminações, um presépio na Praça da Sé e o apoio, sempre presente, do Comércio local, alindando e iluminando as suas montras. E não falta a música de fundo, criando ambiente para o fruir saudável da quadra festiva e para termos, realmente, Bragança em Terra Natal e de Sonhos. Pena é que, para muita gente , o sonho termine quando se apagar a última luz. Mas enquanto isso não acontecer, estendam as mãos aos que sofrem e tornem o Natal um verdadeiro Natal que, mais do que festa , deve ser Amor.

Luís Machado

Publicado no Correio Transmontano a 4/12/2015

VIÚVA DO FATO ESCURO


Estavas vestida de escuro
como se fosse o teu muro
que eu não posso ultrapassar...
Porque não vestes de azul
ou de verde , cor da esperança
e deixas, só na lembrança,
as coisas que trazem dor?
Anda viver o presente
se teu coração consente...
Vamos viver este sonho
num tempo que ainda não foi...
Vês além as borboletas?
Nunca usam roupas pretas,
vestem-se do arco-iris ,
levam nas asas os sonhos
que enchem o meu coração,
percorrem a imensidão ,
passam por cima do muro ,
desse preto que é prisão ,
deixam em teu peito a ilusão
deste amor que em vão sonhei...
Voltam nas asas do vento,
trazendo só um lamento
do tempo que já passou...
Porque não vestes de azul
ou de verde, cor do mar?
Tanto eu gostava de ir
pelo mundo navegar,
num barco chamado esperança,
levando-te no meu colo,
com o amor a tripular...
Não te vistas mais de escuro,
deixa-me saltar o muro...

Luis Machado
Woodland, Taiwan, Madeira Morta, Montanha 櫸