neste Natal silente
Fantasmas e recordações me tolhem
a alegria e a música que , tão docemente ,
penetra no meu coração saudoso,
faz-me regressar a um outro mundo
em que só o sol raiava
e a vida só flores me dava...
Mas as rosas vermelhas, meu enlevo ,
vão-se desfazendo neste outono gélido
e a neve fria dos meus anos
arrefece minha ânsia de esperar
por novas primaveras,
sem ilusões , sem quimeras,
com um sonho só
que guardo no meu peito,
ternamente, com a suave doçura
que o amor lhe empresta...
Neste Natal silente,
neste Natal de festa,
sou gaivota voando, além,
sobre as ondas do mar,
olhando , no horizonte, o arrebol
dum sol que vai nascer
e subir nos ceus até ao zénite,
aquecendo de novo um coração
que teima ainda querer viver...
Luís Machado

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