quando os olhos ergo
e não vejo ninguém...
E , no entanto , lá fora ,
à minha volta , aqui ,
há gente que passa
mas não passa por mim...
Eu permaneço só,
no meu silêncio ,
buscando não sei quê
que não passa aqui...
É talvez esta loucura
de poeta só,
que sonha amanhãs
que já não há,
que busca realidades
que estão para além
do horizonte que vislumbra,
que contempla borboletas azuis
que são gaivotas,
nadando sobre as ondas,
que , com as pesadas asas,
não passam do efémero
espaço onde caminho...
E as borboletas coloridas
que eu sonhava ver,
esfumam-se no vento,
são apenas quimera
perdida no azul dos céus,
sem primavera...
Sinto a solidão
quando os olhos ergo
e não vejo ninguém...
Luis Machado

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