domingo, 6 de dezembro de 2015

VIÚVA DO FATO ESCURO


Estavas vestida de escuro
como se fosse o teu muro
que eu não posso ultrapassar...
Porque não vestes de azul
ou de verde , cor da esperança
e deixas, só na lembrança,
as coisas que trazem dor?
Anda viver o presente
se teu coração consente...
Vamos viver este sonho
num tempo que ainda não foi...
Vês além as borboletas?
Nunca usam roupas pretas,
vestem-se do arco-iris ,
levam nas asas os sonhos
que enchem o meu coração,
percorrem a imensidão ,
passam por cima do muro ,
desse preto que é prisão ,
deixam em teu peito a ilusão
deste amor que em vão sonhei...
Voltam nas asas do vento,
trazendo só um lamento
do tempo que já passou...
Porque não vestes de azul
ou de verde, cor do mar?
Tanto eu gostava de ir
pelo mundo navegar,
num barco chamado esperança,
levando-te no meu colo,
com o amor a tripular...
Não te vistas mais de escuro,
deixa-me saltar o muro...

Luis Machado
Woodland, Taiwan, Madeira Morta, Montanha 櫸

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