sábado, 21 de janeiro de 2017

PERCURSO


Fui gazela livre
brincando com os sonhos,
ágil, perseguindo o futuro,
desenrolando a vida,
novelo fofo
de ternuras feito...
Fui ave solta
sonhando igualdade,
lúdicos devaneios
por um além só cor,
planura sem fim,
semeada de amor...
Fui vendaval
arrastando ideias,
vento de mudança
arrasando rotinas,
fui coragem,
fui força,
fui certeza...
Que é do horizonte
onde almejei o fim?
Porque passou a vida
sem esperar por mim?
Luis Machado

Crónicas do meu viver // Havemos de ir a Viana


Uma arreliadora lesão tem-me impedido de dar os pequenos passeios que preenchiam o meu tempo nas manhãs da permanência no Porto. Ouço, no entanto, o barulho da cidade que se move, em permanência, o passar dos carros, o vozear das gentes, o ladrar dos cães em defesa do seu território e, às vezes, o silêncio que se abate, por momentos, sobre mim e onde observo, da varanda, o casario ao longe, e as montanhas para além das quais está o meu mundo, um mundo diferente, mais sereno e onde ainda é possível conhecer os vizinhos e encontrar os amigos, sem esforço. E há bons lugares sagrados do nosso dia a dia, por onde passaram e passam muitos dos nossos sonhos, onde observamos a beleza ondulante que aproveita o sol ou descontrai, placidamente nas esplanadas, cruzando as pernas com à vontade...

Mesmo com a ligeira lesão que me condiciona os passos, não deixo de aproveitar o tempo e, com a ajuda da minha filha, lá vou tomar o meu café, rever alguns amigos, passear, de carro, onde nos leva a vontade. Mas é o mar que mais nos atrai e o marulhar das ondas enche o meu coração de saudades e leva-nos aos locais onde fomos felizes. À medida que os anos passam, os acontecimentos passados assumem, para nós, uma importância crescente e os olhos da saudade ampliam a sua importância e fazem deles momentos impares. Viana do Castelo a Vila Praia de Âncora, são dois desses lugares mágicos que povoam o nosso imaginário. Foi para lá que nos encaminhamos no último fim-de-semana,para, num pequeno restaurante, com vista para o mar, saborearmos um peixinho fresco e delicioso. Deleitado o estômago, foi tempo de encantar o espírito, dando um longo passeio de carro pela estrada interior, junto ao mar, apreciando a paradisíaca paisagem. O rio que corria ao nosso lado, parecia um lago onde se espelhavam os nossos sonhos ou recordações de outros tempos que por ali passamos, amando e sendo amados ,gizando futuros, vivendo impetuosamente, a idade, crescendo na compreensão da vida, desbravando os caminhos que nos conduziriam ao hoje.E não havia lesões que nos parassem o animo, nem medos que nos retraíssem a sede de aventura, a vontade de chegar mais longe, de fruir intensamente as coisas boas da vida,de viver os prazeres que a juventude nos proporciona, a ânsia de chegar aos horizontes onde morava o desconhecido que sonhávamos. E tínhamos a força física e anímica para tudo buscar e acreditar, num tempo em que, qual cabrito montês, trepávamos, com vigor, as encostas da vida. Quando o tempo passa, uma parte da nossa vida já passou também. E resta a saudade do que foi bom e a vontade de esquecer o que nos magoou.

Como é lindo o mar que, a espaços, avisto! É como se admirasse o infinito, a imensidão da vida onde todos os dias mergulhamos e refrescamos as ideias que, tumultuosamente, perturbam os nossos sonhos. O rendilhado da espuma das ondas que se desfazem nas rochas, inebria o meu olhar e sonho caramujas e lapas dos meus tempos de menino.Como o tempo passou! Lembro corpos deitados nas areias escaldantes, refrescando os olhos nas curvas que passavam a caminho do mar ! Hoje, já poucos ligam à beleza das curvas, mais preocupados com a infinita lonjura das retas por onde passeiam os seus bólides. Mas os meus olhos cansados, ainda conservam a pureza de então e apreciam a policromia simples dos corpos que se mostram na plenitude do belo. Coisas de velhos que ainda associam a arte e a poesia num corpo de mulher!

Ao chegarmos a V.N. de Cerveira, invertemos a marcha e regressamos pela mesma estrada, reapreciando a paisagem e alguns pormenores que sempre nos escapam. As praias regurgitavam de gente que buscava a frescura das águas para suavizar o calor intenso que se fazia sentir. O mar estava calmo, como se ele próprio estivesse cansado das batalhas da semana que findava. No regresso ao Porto, atravessamos Viana do Castelo, passamos a velha ponte Eiffel que tantas recordações nos suscitava. Desviarmos para a praia do Cabedelo e aí nos retemperamos, na bela esplanada de um café, bebendo umas águas que nos ajudassem a combater a desidratação que o calor provocava. Está diferente o local, bem diferente dos tempos da minha adolescência. Nesse tempo, era uma praia selvagem onde se fruía a natureza. Hoje, os pinhais estão pejados de vivendas e o turismo fez o resto...

Quando chegamos ao Porto era já noite. Fora um passeio maravilhoso, mas cheguei cansado e acalorado. Adormeci, sentado no sofá e entrei no reino dos sonhos, o que me acontece muitas vezes. Sonhei " contigo "...e vi-me a cantar o " Havemos de ir a Viana ", de Pedro Homem de Melo, que Amália tão bem interpretava. E eu dizia " Havemos de ir a Viana, ao monte de Santa Luzia e do alto da montanha havemos de ver o mar...". E repetia, repetia...à espera que tu ouvisses... 

Porto,22-07-2016

Luís Machado

RUBICÃO


Sinto o desconforto
de te sentir distante
e sonho compensar a tua ausência,
desenhando,para ti,a cada instante,
beijos que te mando
vestidos de ternura e amor...
E se no retorno
que tu sempre mandas
eu sinto o teu calor,
pleno de saudades,
há céus que se vislumbram,
distâncias que se encurtam
quereres que nos consolam,
porque é de desejos
que se aquece a alma
e,com ternura,se esfria a dor...
Se a solidão nos dói,
se a ausência consome
o nosso coração,
porque não passar
depressa o Rubicão,
gritar,firmemente,"
" Álea jacta est",livremente
saltar os altos muros
que o preconceito ergue,
intransponíveis, feros...?
Sinto a tua ausência
quando a solidão nos dói,
nos consome,nos fere,
mas quando o Rubicão passarmos,
não haverá distâncias
e a luz dos teus olhos
será o farol
que nos mostra o caminho!
Luis Machado
05-09-2016

NO CANTO DO MEU CAFÉ


Leio o jornal,calmamente,
no meu canto do café...
Ouço o bulício da urbe,
pressinto a desventura
de muitos dos que passam,
os sonhos impossíveis
de muitos, mal amados,
vejo o riso sereno e doce
de quem muito ama,
de quem muito sonha,
a alegria de quem caminha,
firme,resoluto,com fé,
por caminhos de esperança
e quer ser feliz...
Calmamente,leio o meu jornal,
na mesa solitária do café,
onde sonho e vivo
e recordo e espero
e quero alcançar, firmemente,
o paraíso que almejo
e que já pressinto e vejo...
Os meus olhos estão tristes
porque a solidão me doi,
mas sinto o calor e a luz
que de ti vem...
Espero alcançar o fim
do caminho que ainda trilho
e beber dos teus olhos lindos
a beleza terna do seu brilho!
20-09-2016
Luis Machado

O OUTONO E A VIDA


Sente-se a brisa fresca
que anuncia o Outono...
As folhas agarram-se
num apego à vida,
sentindo que o tempo se esvai
e que,brevemente,
abandonarão a árvore-mãe
e irão alimentar o nada...
Antecipo,em pensamento,
esse momento , breve ,
em que,doentes,as folhas cairão
e serão mal tratadas,pisadas,
pelos pés de quem passa
e ficarão esquecidas nas sarjetas...
O vento as levará
para um sem destino
e ali apodrecerão, inertes,
completando o seu breve ciclo...
Adubarão as terras,serão seiva
que alimentará outras vidas
que renascerão pela primavera...
A se lado nascerão flores e frutos,
pintando a natureza das cores do arco iris...
Contemplativos,olhamos a paisagem,
vemos a vida passar
e o Outono que chega
lembra cabelos brancos
que o tempo nos foi pintando,
que jamais renascerão
nas cores belas do passado...
Também nós somos pisados
e esquecidos,muitas vezes...
Serenos,nós esperamos
que a vida nos vá poupando,
que vá renovando a esperança
em futuras primaveras,
não penses no que ontem eras,
senão no qu'inda podes ser
e que este Outono que passa
seja apenas um caminho
para um outro renascer...
22-09-2016.
Luis Machado.

Contos do Antigamente / Amor Eterno



António não era propriamente um D. Juan, mas exibia alguns tiques de sedutor que muito agradavam às raparigas do burgo. A começar pelo penteado impecável, um pouco à imagem de Clark Gabel com uma poupa enrolada, bem untada com brilhantina e fixador da moda. A face exibia aquele sorriso estereotipado dos galãs de Hollywood e os modos eram estudados para que a pose parecesse natural na sua elegância. Num tempo em que os homens usavam fatos, casaco e calça, de um bom tecido e a ganga era para os fatos macaco dos operários, António primava pela sobriedade e o seu calçado, sempre bem limpo, completava a apresentação cuidada com que se mostrava nas tertúlias de amigos que frequentava. Não variava muito a indumentária pois a capacidade económica não lhe permitia ter um guarda-roupa variado e extenso. O pai era bombeiro e a mãe doméstica, a criar uma prole numerosa que não permitia luxos, nem perder tempo com salamaleques nas roupas dos filhos. António aprendera a passar as suas próprias calças e camisas, com requinte de profissional. E isso lhe permitia uma apresentação impecável, com o pouco que tinha. Quando António se passeava na Praça Central ou percorria a longa Alameda do Jardim, nas noites de concerto da banda local, não eram poucos os olhos femininos que o seguiam, apreciando a sua elegância e o sorriso fácil com que brindava as meninas. Namorava e desnamorava com facilidade, não que quisesse colecionar troféus, mas porque era inconstante e depressa se cansava e desiludia com as mulheres que amava. Dizia-se que quando era muito jovem, tivera um desgosto de amor e que nunca conseguira esquecer essa paixão. Daí que parecia não acreditar no amor e os namoros eram para ele um mero exercício de masculinidade que desempenhava a preceito. Tinha sempre uma namorada que não apresentava aos amigos, não porque tivesse ciúmes dos seus olhares mas porque queria manter uma separação e independência total entre o amor e a amizade. Somente uma vez ele se associara a um amigo para namorar uma de duas irmãs que andavam sempre juntas, Mariana e Rosália. Ele estava interessado em Mariana e pediu ao seu amigo Júlio para fazer companhia a Rosália que era ainda mais bonita e viva que a irmã. Não foi difícil o amigo aceitar o desafio e depressa se viu os dois pares de namorados se passearem na Alameda Marginal ou nas longas ruas do centro histórico que levavam ao outro lado da cidade e ao mar.

Corria o mês de Agosto e Viana era palco permanente de ranchos folclóricos, grupos de bombos, concertinas e acordeões, cabeçudos e gigantones, moçoilas trajadas à vianesa, cantares e danças que a todos encantavam e eram a delícia dos turistas, portugueses e estrangeiros que, aos milhares, visitavam o burgo. António e Mariana e Rosália e Júlio, passeavam, de mãos dadas pelo centro histórico, enlevados, embriagados pelo amor nascente, trocavam fugidios beijos, abraçavam-se de quando em vez, absortos, no meio da multidão que, alheia ao amor dos jovens, cumpria o seu ritual de tudo visitar, com ar cansado que o calor provocava. Ouvia-se o bruaá das gentes, caminhando ao ritmo das concertinas e do ribombar dos bombos dos Zés Pereiras. Havia bandos de crianças acompanhando os Gigantones e os Cabeçudos que percorriam as ruas. António e Mariana sorriam e as suas mãos, entrelaçadas, diziam do muito que continuava crescendo nos seus corações. Júlio e Rosália perdiam-se na multidão, escondidos nos beijos fugidios que trocavam e nas carícias breves das suas mãos delicadas.

A Praça da República, com a beleza dos seus monumentos e a sobriedade artística de alguns dos seus edifícios, era o palco preferencial da alegria esfuziante que se espalhava por toda a cidade e era lindo assistir à concentração das lavradeiras, ao ribombar estonteante dos zabumbas, à harmonia prazerosa das concertinas e acordeões , à alegria contagiante dos Cabeçudos e Gigantones, ídolos da pequenada.
António e Mariana, abstraindo-se do ruído melodioso de toda a azáfama que envolvia a Praça, curtiam o seu amor, passeando de mãos dadas, bebendo reciprocamente os seus olhares de mel, sonhando aleluias em amanhãs de esperança. Mariana era uma ternura, linda, morena, o cabelo negro caindo-lhe sobre os ombros, estatura média, elegante, pernas bem torneadas, os pés guardados em sapatos rasos, cor de vinho. Tinha o sorriso belo de uma adolescente feliz e os seus dentes alvos brilhavam nuns lábios de carmim que sonhavam beijos que os seus olhos negros sugeriam a António. Este, enlevado, olhava-a com ternura e as suas mãos apertavam-se num convite secreto a caminhos futuros. Sentia um estranho torpor que o inibia de agir e, contemplativo, os seus olhos bebiam os olhares de Mariana e afogavam o seu coração num amor reverente que, docemente Mariana retribuía. E assim, dia após dia, nasceu entre eles um amor profundo que o tempo ia fazendo crescer. Tornaram-se companheiros de todas as horas naquele verão quente. António ia abandonando as tertúlias de amigos, dedicando todo o seu tempo ao amor a Mariana com quem passeava à beira rio e ao longo da extensa Alameda que atravessava o Jardim onde cresciam as mais belas flores, tratadas pelo Sr. João, chefe jardineiro. Na esplanada do café havia sempre pares de namorados, amando-se languidamente e as suas mãos desenhavam romances de enternecer. António gostava de tomar o seu café e por ali se quedavam, olhando o movimento da Alameda muito frequentado neste período de verão. Do outro lado, erguia-se o coreto onde, nas noites cálidas, o maestro José Pedro exibia a sua banda, quase uma orquestra, tocando, afinadamente, música clássica e rapsódias várias. Os mais velhos ocupavam os lugares da frente, quer porque tinham o ouvido mais duro, quer porque eram os maiores apreciadores do repertório do maestro. E exibiam os seus conhecimentos musicais, discutindo minúcias e afinações e tecendo as suas críticas à execução. Os mais novos iam ouvindo os acordes, espantavam-se com a afinação dos instrumentistas e contavam, entre si anedotas jocosas. As meninas reuniam-se em grupos, deliciando-se com os olhares marotos dos rapazes e soltavam risadinhas que rivalizavam com os acordes doces que do coreto chegavam. As estrelas espiavam dos céus e sorriam ante a ternura dos jovens. Corria uma brisa fresca vinda do rio onde deslizavam pequenos barcos que se dedicavam à pesca ou outras atividades lúdicas. António e Mariana olhavam-se ternamente. Tinham tomado o café e passeavam na Alameda, repleta de gente que fugia ao calor das casas e se refrescava com a brisa serena que crescia do rio. Tinham vontade de fugir daquele bulício e esconder-se na escuridão da noite, embriagar-se de beijos, sentir o calor intenso dos seus corpos jovens, procurando-se, sair do mundo e atingir os céus. Naquela noite, o luar, cúmplice, escondeu-se e só o brilho dos seus olhos iluminava a negridão do espaço. Foi fácil encontrar o caminho do céu e para lá caminharam docemente.

No dia seguinte, António levantou-se cedo. O Sol raiava no firmamento, as flores e arrebitavam as suas lindas pétalas, a passarada ensaiava os seus voos matinais, gente apressada seguia o seu caminho, o rio corria apressadamente para o mar, ao encontro doutras águas que dessem sal à sua vida. Chegou à janela do seu quarto e olhou a azáfama que se instalava. Além, dois cães engalfinhavam-se e lutavam, sabe-se lá porquê. Um gato miava no telhado, chamando a sua fêmea com que serenatando ao amanhecer. António pensava em Mariana. Lembrava a noite anterior em que se entregaram pela primeira vez, na doçura dos seus olhos castanhos rivalizando com o brilho das estrelas na serenidade dos seus gestos, na doçura das suas mãos, na sua pele de veludo, na meiguice dos seus beijos. Além, na Avenida, ouviu-se estridente, a sirene de uma ambulância. Ouviu alguém dizer que houvera um grande acidente, dois carros que haviam batido de frente. Sentiu o coração bater mais forte, era a hora a que Mariana saía de casa a caminho do estabelecimento do pai. Saiu a correr à procura de notícias, como um louco, pressentindo o pior…

No dia seguinte, no cemitério, António chorava em silêncio. Deus não quisera que ele fosse feliz e levara Mariana para junto de si, para o Céu que eles haviam sonhado naquela noite tão linda. 
António andou por aí, triste e cabisbaixo, consumindo na sua dor…

Era outra vez verão! Bandos de andorinhas animavam os beirais e os jardins engalanavam-se das mais belas flores. Estava lindo o rio e o mar espreitava ao longe. António escolheu esse dia e partiu ao encontro de Mariana, um cancro minara a pouca vida que lhe havia restado.

Bragança, 21/9/2016

Luís Machado

PRECE A DEUS


Analiso a vida
que passa ao meu lado
e sinto um frio estranho
na minha alma...
Ouço e leio palavras lindas
de amor,misericórdia, esperança,
mas são só palavras
que ecoam no vazio
triste da realidade...
Lá fora passeia-se a pobreza,
a miséria encapotada
de milhões de seres
que choram em silêncio...
Sabemos que Deus é grande
e estranhos seus desígnios,
que presa a nossa liberdade
e que tudo é amor...
Mas grassa no mundo
a violência mais abjecta,
a antropofagia dos simples,
o desdém pelo próximo,
a ambição sem freio...
Oh Deus,omnisciente e omnipotente,
que liberdade é esta que nos deste
que mais não é que cativeiro?
Onde está o amor no holocausto,
nas chacinas que vemos dia a dia,
na fome infame que aniquila,
no roubo sistemático de tantos,
ns corrupção que mata
a vontade de ser íntegro?
Que inferno espera
os que sugam o sangue
dos seus irmãos mais débeis?
Porquê os miseráveis choram
e os poderosos riem
desafiando o Teu poder?
Faz descer sobre nós
a Tua mão poderosa e justa,
ilumina as mentes,
sossega os corações,
não deixes mais
que em nome da liberdade
se escravize e mate,
a cada instante...
05-10-2016
Luis Machado