sábado, 28 de maio de 2016

O QUE É A FELICIDADE?

Crónicas do meu viver // Por Luís Machado

Quando li um pensamento de John Lennon sobre a felicidade, percebi que tinha encontrado o mote para a minha crónica de hoje. O insigne elemento dos Beatles, contava que, quando tinha 5 anos, a mãe lhe dizia que a felicidade era a chave da vida e que, quando fora para a escola, lhe perguntaram o que queria ser quando fosse grande, ao que ele respondeu que queria ser feliz. Na escola responderam-lhe que não tinha percebido o exercício. A sua resposta é brilhante, ao retorquir que " eles não entendiam a vida "

Na verdade, se nós pusermos a mesma pergunta de outro modo...queres ser feliz quando fores grande?... todos responderíamos afirmativamente, sendo que o conceito de felicidade seria diverso para cada um de nós. Porque, na verdade, o que é a felicidade? Será, em abstrato," um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio," " um bem estar espiritual ou paz interior " e é, no fundo, diferente para cada ser humano, uma questão individual que cada um resolve e sente a seu modo.

Quando eu era criança, tudo o que eu queria era que me deixassem brincar em liberdade, jogar a bola, correr, esfolar os joelhos, tomar banho no rio com os companheiros, subir às árvores à procura de ninhos, caçar grilos nas tocas no meio do mato, comer o gostoso creme que a minha mãe fazia nos dias de festa ou aniversários... E era feliz, sem saber que o era, sem precisar de definições filosóficas do conceito, era feliz porque o que fazia me dava prazer, satisfazia os meus anseios de criança...

Depois crescemos, vem a adolescência, começamos a olhar a vida com outros olhos, a sonhar, a relacionar-mo-nos com os outros de uma maneira diferente, surge o amor e o desamor, procuramos futuros...E, um dia, alguém nos pergunta " És feliz? " E custa-nos responder, porque não temos respostas. Quem pergunta? Porquê?

Lembro-me que, um dia, nessa longínqua adolescência, alguém me fez essa pergunta, e eu menti e disse que sim, mas não era e quem perguntava, sabia-o ! Tinha-se desfeito um dos meus sonhos, ruído uma das minhas ilusões... Era um tempo em que eu pensava que o mundo ia desabar sobre mim... Tudo era confuso, sem sentido, sem presente nem futuro, sem ambição, interessado apenas em esquecer o passado que me desiludira e magoara profundamente...E não só no amor.

Mas a vida sempre renasce pela primavera e o tempo cura todos os males, esquecemos e descobrimos outros caminhos que nos mostram outras paisagens... E o tempo passa, caímos e nos levantamos, vezes sem conta, nesse caminhar insano pela vida, à procura da resposta à pergunta da minha adolescência, resposta que nunca é definitiva, que varia como a brisa ou o vento que nos afaga ou agride...

Quando já muito se viveu, sabemos que a felicidade não é um conceito simplista que cabe numa definição em que as palavras mascaram, muitas vezes, a realidade. Para os meninos pobres dos bairros degradados das nossas maiores cidades, ser feliz é ter uma casa modesta para dormir, comer o que a escola lhes dá ou pouco mais, ter uma bola para dar uns pontapés. Para os meninos para quem o dinheiro não é problema, ser feliz é ter tudo e não ter nada, porque nada interessa a quem nada falta. O materialismo, o consumismo, tudo subverteram, o que sobra em meios falta, muitas vezes, em afetos. Num mundo em que o ter se tornou a coisa mais importante da vida das sociedades, não ter nem sempre é razão para a infelicidade, quando a fraternidade, a solidariedade, a amizade, o amor, superam as carências. Dar-se, compartilhar, servir, amar, levar-nos-ão, por certo, a um estado de alma que bem podemos chamar de felicidade... Ao egoísmo feroz que tudo destrói, contraponhamos o altruísmo, o amor ao outro, nosso próximo, a quem, em abstrato, tudo se oferece, mas nada se dá, em concreto. Honra aos que são felizes, dando-te em amor aos outros, seus irmãos, aos que, aliviando o sofrimento alheio, mitigam, muitas vezes, o próprio sofrimento.

E, no campo do amor, lembrem-se que só dando se recebe, se compreendendo se é compreendido, só distribuindo carinho se recebe ternura, só oferecendo lealmente o coração, se recebe outro em troca. A paixão é apenas um fogacho que o tempo extingue. O amor é um sentimento que perdura para além dos arroubos impetuosos da paixão. O amor leva felicidade aos corações, a paixão leva prazer e dor e sofrimento. Como dizia Albert Camus, escritor e filósofo existencialista, " ninguém será feliz se continuar a procurar em que consiste a felicidade". Mais do que se interrogar, construa-a, liberte-se, procure-a," hoje pode ser o melhor dia da sua vida. Talvez você só descubra isto amanhã e terá perdido a oportunidade de ser feliz hoje.". Não deixe passar o tempo, não se questione se é novo ou velho, tem sempre idade para ser feliz. Aja de modo a que se alguém lhe perguntar " És feliz?", possa dizer SIM, com outra convicção que não a minha em tempos de adolescência...

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