Hoje sonhei que te ia buscar
ao fim do mundo,
para comigo voares
até ao longínquo Marte
e ali , no silêncio efémero
deste sem tempo,
construir contigo um novo céu,
sem ânsias, sem distâncias,
sem angústia e sofrimento,
sem dor, sem ansiedade,
onde este amor que sonhei
não fosse sonho,mas realidade....
Voamos, de mãos dadas, pelo espaço,
bebendo a luz eterna das estrelas...
Descansamos nas brancas, fofas nuvens
que o céu azul colorem...
Ouvimos o clamor dos mortos
e o celestial cântico dos anjos...
Vislumbramos Deus em pensamento
e pedimos-Lhe, doce prece,
por este amor complexo
que a vontade do destino tece...
E o sonho que de efémero veste,
sorria em nossos corações,
tão docemente, que as ilusões
que o destino tece,
nos pareciam reais,
não meros anseios virtuais...
E quando Morpheus chegou,
gentilmente, fechando nossos olhos,
despertou em nós o velho sonho,
cheio de ausência e distâncias,
de dor e sofrimento,
de angústia e ansiedade,
um sonho virtual e de verdade,
num só tempo de ilusões,
um sonho bordado só de amor,
triste como a planta
que cresce sem flor...
E o longínquo Marte,
paciente e austero,espera por nós
num hotel de sonhos,
belo e doce,onde estamos sós...
Mas Morpheus sorri e,
calmamente,
abre nossos olhos,docemente...
Havia um sol nos céus,
ventos uivando,
e aves voando no além...
Há um mundo confuso e triste
e um amor que a tudo isto resiste...
Luis Machado
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