dando à natureza uma outra cor...
Da penumbra dos tempos em que vivo
renasce em mim a esperança
de encontrar outros caminhos
e a luz que o sol projeta nos meus dias,
guia meus passos, já cansados
de procurar, lá longe, no horizonte,
o oásis que sonho, dia-a-dia...
Já subi montanhas, atravessei desertos,
naveguei em mares encapelados,
andei perdido na lonjura do tempo,
caminhei e desisti muitas vezes,
na busca permanente da felicidade
que eu persegui sem parar um instante...
Sempre havia primaveras
e sempre o roseiral tinha rosas vermelhas
que animavam minh' alma...
E até os melros, bicando no relvado,
me faziam lembrar lutos do passado
e, ao mesmo tempo, mostravam
a esperança, no verde renovado...
Cheiravam a beijos, as copas do arvoredo,
alguns que ali dei e outros que sonhei
nos trinados do rouxinol cantor
que lembram velhas canções de amor...
Primaveras que foram e só voltam em sonhos,
já sem o céu azul d' outrora
e as estrelas distantes brilhando nos meus olhos....
Primaveras que cantam aleluias
nas flores amarelas que ornam meu jardim
e esperam tulipas e rosas vermelhas
que o Abril trará, em sinfonia de cor...
Primaveras que suspiram meus ais ,
quando, saudoso, te procuro , amor
e, triste, meus olhos te olham
nesse abstrato espaço feito só de sonhos...
Primaveras que o coração aquecem
quando , no vento que passa,
me chegam novas do que hei sonhado...
Primaveras que te mando em palavras,.
no silêncio do tempo e da distância,
que meu ser consomem...
E quando, nesta primavera em flor,
os céus se enchem do gorgeio das aves,
canta a minh' alma também,
num frémito de amor pela vida
e os caminhos que percorro são suaves
e o horizonte está perto dos meus olhos...
Luis Machado

Sem comentários:
Enviar um comentário