domingo, 10 de abril de 2016

SONHOS E QUIMERAS


Às vezes, quando a amargura
baila nos meus olhos,
apetece-me dormir o sono eterno
e acordar num outro mundo
mais humano...

Teço na minha alma
devaneios e doces ilusões,
sonho céus encantados
onde tudo é harmonia e paz,
vejo em tudo primaveras
onde as flores exalam
inebriantes perfumes sedutores...

Da miséria e da fome, esqueço
a fatalidade ingenita
e sonho igualdades
que jamais serão...
Do mal, da perversão,
desse viver corrupto
que avassala as mentes,
sonho arcanjos de espada em riste,
desafiando o tempo,
levando a justiça
a este mundo triste...

Sonho um mundo de amor
onde não falte o pão,
onde cada ser seja de outro ser
um ser irmão,
onde a amizade impere,
banindo a ambição,
onde haja abraços e não ódio,
com rosas vermelhas
em cada coração...

Mas a vida destrói
em cada instante,
os sonhos que sonhamos
e de quimera em quimera,
as ilusões se vão,
há apenas céus sem luz,
pintando de cinzento feio,
a nossa solidão...

Quisera , uma outra vez, sonhar
primaveras de luz e cor,
semeadas de estrelas e flores,
um mundo onde o amor
irradiado dos nossos corações,
fosse a alavanca, o raio
que mudassem o mundo,
banisse a amargura dos meus olhos...
me devolvesse a esperança
me encaminhasse os passos,
me ensinasse o caminho,
me iluminasse a mente,
e meu estro aquecesse docemente...

Luis Machado

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