quarta-feira, 16 de setembro de 2015

BARCO À VELA

Eu ia num barco à vela
no mar alto, a navegar...
Levava comigo a vida,
Queria o mundo conquistar!
Levava também os sonhos
de quem está a começar,
Bebia a luz das estrelas,
Conjugando o verbo amar...
Que belos eram os peixes,
junto do barco, a saltar,
Ouvia cantar sereias
que me queriam conquistar...
Ia seguindo o meu rumo,
Sempre, sempre a velejar,
o vento ia ajudando,
tinha pressa de chegar...
Lá no fundo, o horizonte
ia ficando mais perto,
havia sóis a dizer-me
que o caminho estava certo...
Até que um dia, uma estrela
caiu dos céus, nos meus braços,
mudou o rumo à viagem
e mostrou-me outros espaços...
Deixamos então o mar
e rumamos à montanha!
Que lindos eram os montes
nesta terra tão estranha...
Colhemos flores nos campos
que juntamos às estrelas,
nasceram flores tão lindas
que era um regalo ve-las!...
E o tempo lá foi correndo,
sem parar um só momento,
tão célere, tão veloz
como o próprio pensamento...
Quando as estrelas do céu,
um dia, deram pela falta
duma irmã que lhes fugira,
ainda a lua ia bem alta,
vieram busca-la, então,
enchendo a terra de luz,
deixando o meu coração
como o de Cristo na cruz!
Pensei voltar ao meu barco,
navegar noutras ideias,
mas o mar estava diferente,
já nem havia sereias!...
E eu olho o horizonte,
vejo-o bem perto de mim,
as águas que , então sulquei
já só me levam ao fim!...

Luís Machado

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