Crónicas do meu viver // Por Luís Machado
Hoje vou escrever uma crónica um pouco diferente e em vez de tratar e desenvolver um tema ou contar uma história, vou deixar deambular a mente, livremente , por ai , esquentada por este calor estival que nos convida às sombras e às bebidas frescas.
Uma das coisas que me ocorreu tratar, foi a beleza, não a beleza dos campos e jardins , matizados das mais lindas flores ou do verde suave dos prados, do sussurrar sereno das águas dos rios e riachos , do trinado das aves canoras , do azul esplendoroso dos céus... Não, apetece-me falar da beleza feminina , rivalizando com a beleza da natureza , em harmonia e cor , na suavidade dos movimentos , quiçá na ternura da voz...
Espectador insuspeito , sento-me numa qualquer esplanada e aprecio o movimento dos corpos , quase desnudos , de muitas beldades , realçando as formas , aprimorando os rostos , abrilhantando o olhar , estudando os gestos , calculando os passos...
E dá gosto olhar e sonhar belezas ocultas que se adivinham , juntas às que os nossos olhos vêem...
E ali ficamos absortos no pensamento e na lembrança de outros tempos em que os nossos olhos brilhavam e os nossos corpos tremiam à passagem de uma mulher bonita que nos excitava os sentidos... Hoje, tudo é diferente... A quantidade e a qualidade aumentaram exponencialmente, a beleza feminina , natural ou fabricada , é uma constante e a excitação que provocam nos jovens não tem paralelo com a que provocavam no " antigamente ", quando uma saia ou um vestido mais curtos nos levavam aos céus...
Os jovens de hoje são uns felizardos , vivem no seio da beleza e nem se apercebem dela , tudo é natural , tudo a natureza lhes oferece ... e há flores tão lindas...
Fico ali sentado , os olhos espraiando , os sonhos voando no tempo , pomba branca que já foi falcão , sonhando horizontes onde eles não vão... Fico ali sentado e, antes que o tempo passe e me tire o olhar, olho , discretamente , a beleza que passa e escrevo , na mente , poemas de amor que ninguém lerá... Depois, depois, vou dormir a sesta e descansar da excitação , a que não é alheio o tempo , arrumar os sonhos , descer ao real...
A sesta é quase uma instituição nacional. E sabe tão bem... Sento-me no sofá , manuseio o jornal , fecho o facebook e...durmo um pouco , não muito ... Às vezes dá-me para sonhar , coisas sem nexo , outras que gostaria fossem reais , outras ainda relacionadas com a vida e seus problemas...
Hoje na TV falava-se do ORPHEU e dos 100 anos da sua publicação. O entrevistado fez uma boa apresentação da assunto e mostrou a obra , os números publicados ( 2 ) e um terceiro que estaria pronto para publicação, mas que não o chegou a ser. Falou dos mentores do movimento : Fernando Pessoa , Mário Sá Carneiro e Almada Negreiros , das reacções que provocou na época , do vanguardismo que inspirou toda a literatura portuguesa subsequente. Loucura criativa própria dos génios...
Na ordem do dia , está o problema da Grécia. Fala-se muito , diz-se pouco , esgrimam-se verdades e inverdades , omite-se , acrescenta-se , sofre-se e faz-se sofrer. Há os que sabem tudo e os que não sabem nada, os que emitem opiniões criticas fundamentadas e os que deturpam e insultam , como é apanágio dos ignorantes.
Na Mitologia da Grécia Antiga havia alguns milhares de Deuses e Semi - Deuses. Depois de uma letargia de milénios, pode ser que acordem e intervenham a tempo de resolver a contenda... Bom seria... Deus sempre ajudou os necessitados, mas , às vezes , parece estar distraído.
Por cá, não precisamos da intervenção dos Deuses. Não vivemos em pecado e temos pensadores experimentados e infalíveis que não têm quaisquer dúvidas. Sabemos que o Reino de Deus será dos pobres e , portanto , estamos descansados. Os ricos não precisam do céu e não farão concorrência à plebe. Só esperamos que não chova na festa...
Quanto ao Olimpo, bem , esperemos que os milhares de Deuses se entendam e não arranjem algum empate técnico que transfira para os simples heróis a resolução do caso... Ou que CRONOS se irrite e arrase tudo com alguma tempestade...
Mas é tempo de férias e o mar está calmo...
Proliferam as festas e romarias , por todo o lado há gigantones e cabeçudos , para lá do Minho onde se dança o vira.
Publicada no Correio Transmontano a 1 de julh de 2015
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