terça-feira, 15 de setembro de 2015

MEU BARQUINHO DE PAPEL


Minha alma dolorida
voa pelos céus , sem fim...
No mar ouço as sereias,
na terra cigarras cantar...
No mar alto vão barquinhos
de papel , a navegar,
tão pequenos eles são,
levando o meu coração
que procura a quem amar...
Já em tempos naveguei
para lá do horizonte...
Além dele havia um monte
pra onde fui descansar
e dormi dezenas de anos
com Alguém a me afagar...
Quando acordei, estava só...
Meu barco estava ancorado
naquela baía imensa
a que chamavam de vida...
Fiz-me ao mar uma outra vez,
sem rumo , sem horizonte
que me servisse de guia...
Às vezes ,
nas horas tristes,
rezava uma Avé-Maria
e aos santos eu pedia
me indicassem o rumo
e seguia , ia seguindo...
Havia estrelas no céu,
via além o sete-estrelo
e só o facto de eu vê-lo
era já consolo meu,
como o futuro luzindo
nas velas do meu barquinho...
Avistei uma enseada
e pra lá me dirigi...
Na praia havia sereias
e delas eu não fugi...
Veio Cupido dos céus,
desatou a disparar,
mas não consegue acertar...
E eu ponho-me a pensar,
Miro as águas do mar
e vejo um velho , já velho,
que se esqueceu de contar
os anos em que dormira
afagado pelo amor
e que o tempo decorrera
e da imagem de Adónis
restavam cabelos brancos,
bem à imagem de Zeus....
Cantam sereias no mar,
mas é outro o seu cantar...
Meu Cupido enfraqueceu
e já nem sabe atirar....
No mar alto vão barquinhos
de papel a navegar,
tão pequenos eles são,
levando o meu coração
que procura a quem amar...
Mas são tão frágeis os barcos,
que bem podem naufragar,
vão carregados de sonhos,
talvez para não voltar...

LUIS MACHADO

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